O Poder do Círculo de Mulheres

Para falar de Círculos de Mulheres precisamos pensar na história da humanidade. De acordo com a escritora e estudiosa de uma teologia feminina, ou “tealogia”, Mirella Faur, um dos maiores fenômenos de século XX foi o renascimento da religião da Deusa.  Segundo seu livro, “Círculos Sagrados para mulheres Contemporâneas”, as civilizações antigas matrifocais foram eclipsados pelos valores cristãos do patriarcado.

E a prova disso é como os arquétipos femininos das histórias e mitos foram transformados em jugos contra a mulher. A exemplo da própria história de Eva, ou do Deus do Velho Testamento, cuja figura é masculina e severa, e sua consorte esquecida.

Shekinah, a contraparte feminina do Deus do Velho Testamento, foi tão escondida que passou a ser venerada apenas nos cultos Sabbath, de modo velado.

E é por causa deste tipo de retrocesso que a espiritualidade feminina representa um retorno ao princípio criador feminino, no qual a sensibilidade e a liberdade são exaltados, além da preservação da harmonia do mundo natural.

A Tradição da Deusa e o círculo de Mulheres

Enquanto que a teologia cristã impõe um Deus dualista e temível, a cosmologia da Deusa é não dual e sempre reiterou a conexão entre todos os seres, ventre a vente, útero a útero.

O movimento feminista pode até guardar, em um ou outro setor, suas ressalvas quanto à manifestação da espiritualidade feminina como luta concreta por igualdade, mas o fato é que as feridas infringidas às mulheres a gerações precisa de cura, e este é o papel dos círculos de mulheres.

A ciência já descortinou efeitos bem claros a nível biológico da reunião feminina: são potencializados os efeitos hormonais que levam à uma maior fertilidade, além das substâncias que trazem os sentimentos de prazer, tais como as serotoninas e endorfinas, dentre outras.

O PODER DO CÍRCULO DE MULHERES

Pensemos em uma reunião formal de uma tribo. Ela acontece, muito frequentemente, em formações circulares, ou que lembram algum tipo de forma geodésica. E as tribos antigas, que possuem contato com as formas sagradas da natureza já sabem, há muito, o poder mágico e cerimonial dos círculos: o sol gira de forma circular,  a lua também, e estes astros, assim como os planetas, possuem forma circular.

E pense no que a “invenção” da roda fez pela humanidade. Chackra, em sânscrito, significa roda. E na eterna e permanente passagem do tempo, tudo é espiralado, conforme explica Mirella Faur.

A espiral das transformações da vida é incessante, e um círculo vivo é um ambiente sagrado, no qual todos nos colocamos umas perante as outras de forma igual. A reunião em torno de uma fogueira com outras pessoas costuma ser um momento de muito aconchego, quem discorda?

Hoje em dia,  arte terapeutas e tecedores de fios se colocam em círculo para tear as chamadas mandalas de fios, que representam esta geometria sagrada. Mandala significa círculo.

Uma mandala viva de mulheres que partilham os mesmos objetivos encoraja as mulheres a desenvolverem parceria, auto apreciação, amizade e cuidados naturais, das terapêuticas holísticas que buscam o cuidado integral do Ser através de métodos naturais, tais como Yôga, meditações e danças, ervas e cristais, sons e mantras, e o que mais puder ser aplicado enquanto saber ancestral de cura.

O exercício da ancestralidade é um dos grandes elementos de direcionamento energético travado através do cruzamento de mãos, mentes e corações,  A fome pelo sagrado a partir do coração feminino é sanada através do círculo de irmãs iguais.  Honrar a espiral da vida é uma forma de vida mais digna e conexa com o cosmos – com as leis do universo.

OS RITUAIS NO CÍRCULO DE MULHERES

Os rituais tocam o coração porque são feitos a partir dele. E é assim que vai nascendo uma movimentação global pela sacralização da feminilidade e do respeito ao corpo fértil da mulher.

Os rituais podem incluir:

  1. Atos criativos, tais como a criação de mandalas, adornos e objetos pessoais;
  2. Atos educativos, em que são passados conhecimentos ancestrais para a vida das mulheres;
  3. Atos comunicativos, a comunicação gera sororidade entre as pessoas e um ciclo virtuoso de apoio;
  4. Atos mágicos e ritualísticos, como a honraria aos arquétipos e deidades;
  5. Atos terapêuticos, como a dança circular e o canto.

Assim, um círculo pode ser aquilo que aquele grupo criar, podendo ser guiado por focalizadora cujo foco é o desenvolvimento espiritual, ou o terapêutico, ou o comunicativo.

Mas para aplicar o círculo em nosso dia a dia, temos que incorporar esse tipo de cultura, na qual as cerimônias de transição, os rituais importam.  A primeira menstruação, a fase da lua, a fase menstrual… A primeira ou o primeiro filho de uma mulher. Tudo isto representa momentos de morte e renascimento da mulher, e desde muito a espiritualidade tem como missão colocar flores nestes caminhos.

CONSCIÊNCIA DA FASE lunar

O céu e a lua sempre tiveram entre os aspectos que mais despertaram a curiosidade. Mais do que isso, a lua afeta as águas do mar e a menstruação da mulher. Simbolicamente, a lua também representa o aspecto Yin enquanto o sol o Yang da nossa personalidade.

As mulheres, enquanto não contavam com aplicativos e pílulas anticoncepcionais, tinham muita clareza com relação ao fato de que o ciclo lunar é, precisamente, similar ao ciclo menstrual. Este era o seu calendário. Por isso, podemos considerar que conectar com as mudanças da lua é conectar, novamente, com o ciclo natural do corpo.

É por isso que muitos círculos celebram as energias lunares, percebendo as energias astrológicas e como podem trazer inspirações ao auto desenvolvimento.

Reconhecer a sacralidade do corpo é uma das missões de um círculo de mulheres e suas cerimônias.

COMO DIALOGAR EM CÍRCULO

Muitas vezes o círculo é composto de diversos momentos. A abertura do círculo e a apresentação do que irá acontecer. Uma apresentação de cada uma pode acontecer quando são círculos novos.

No momento do diálogo, cada uma terá seu momento. A mulher com a palavra deve procurar dizer sempre o que sente lá no fundo, e não reproduzir um diálogo sentimentaloide ou racionalista.

O círculo traz o exercício do seja você mesma, sem enfeitar ou negligenciar o que você é.

QUER CONHECER UM CÍRCULO DE MULHERES?

Estou oferecendo dois círculos de mulheres, um no Rio de Janeiro (no mês de junho/2018)e outro em Porto Alegre, (agosto/2018). Siga a página, encontre os eventos e saiba mais!

Círculo de Mulheres no Rio de Janeiro
https://www.facebook.com/events/193733714760649/

 

 

Fontes:

https://www.somostodosum.com.br/clube/artigos/autoconhecimento/o-poder-do-circulo-de-mulheres-30252.html

http://bonsfluidos.uol.com.br/noticias/comportamento/o-que-os-circulos-de-mulheres-tem-a-ensinar.phtml#.WwNTH0iUvIU

 

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